Um registro A diz onde está uma máquina. Um registro SRV diz mais: diz que máquina, em que porta, e com que precedência responde por um serviço do seu domínio. É o registro que um cliente de e-mail, um programa de calendário ou um sistema de voz consulta quando se quer configurar sozinho, sem ninguém lhe escrever o servidor à mão.
Se ainda não leu o resumo dos tipos de registro, comece por aí: registros DNS explicados. Este artigo é só sobre o SRV, que é o que costuma sair errado.
Metade do registro está no nome
É aqui que quase toda a gente se engana. No editor de zona não há campo «serviço» nem campo «protocolo»: eles escrevem-se dentro do nome, e sempre nesta ordem.
| Pedaço do nome |
O que é |
| _servico |
O nome do serviço, sempre começado por um sublinhado. Não o invente: quem lhe pede o registro diz-lhe qual é. Exemplos reais: _autodiscover, _caldav, _sip. |
| _protocolo |
Quase sempre _tcp. Há serviços que pedem _udp ou _tls. Também leva sublinhado. |
| o domínio |
O painel acrescenta-o por si. No fim o nome completo fica parecido com _autodiscover._tcp.yourcompany.com. |
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Sem os sublinhados o registro não serve para nada. Um autodiscover._tcp sem o sublinhado da frente grava sem erro, fica na zona, e nenhum programa o encontra. É a causa número um de «criei o SRV e não acontece nada».
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Os quatro campos, e o que se escreve em cada um
Depois do nome, o editor de zona do cPanel pede quatro valores. São todos obrigatórios, e nenhum deles aceita um número acima de 65535.
| Campo |
O que significa, e o que se põe lá |
| Priority |
A ordem de tentativa. O mais baixo é tentado primeiro. Se houver um só servidor, 0 serve. Só se usa mais do que um valor quando há um servidor de reserva, e esse leva um número maior. |
| Weight |
Só conta entre registros com a mesma prioridade: reparte o tráfego entre eles, e o peso maior recebe mais. Com um servidor só, 0. |
| Port |
A porta em que o serviço atende. Não se adivinha: vem de quem lhe pediu o registro. Uma porta errada dá um serviço que «liga e não responde». |
| Target |
O nome da máquina que atende, e que tem de ter registro A ou AAAA próprio. Não pode ser um endereço IP, e não deve apontar para um nome que seja ele próprio um CNAME. |
Um caso real: os SRV que a sua zona já tem
Isto não é teoria. Quando o domínio está hospedado conosco e usa os nossos nameservers, o cPanel já criou sozinho cinco registros SRV na sua zona. São eles que fazem a configuração automática do e-mail, dos calendários e dos contatos funcionar quando escreve só o endereço e a senha no celular. Abra o editor de zona e veja:
| Nome |
Prioridade / Peso / Porta |
Alvo |
| _autodiscover._tcp |
0 / 0 / 443 |
um serviço de descoberta do próprio cPanel, que devolve ao programa as configurações certas da sua conta |
| _caldav._tcp |
0 / 0 / 2079 |
o seu domínio (calendários, sem cifra) |
| _caldavs._tcp |
0 / 0 / 2080 |
o seu domínio (calendários, com cifra) |
| _carddav._tcp |
0 / 0 / 2079 |
o seu domínio (contatos, sem cifra) |
| _carddavs._tcp |
0 / 0 / 2080 |
o seu domínio (contatos, com cifra) |
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Repare no padrão. Prioridade e peso a zero porque só há um servidor; a porta muda conforme o serviço; o alvo é sempre um nome, nunca um IP. É exatamente isto que vai escrever quando criar o seu.
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Não apague estes cinco. Se os remover, o e-mail continua chegando, mas a configuração automática nos celulares e nos programas de calendário deixa de encontrar as configurações, e passa a ser preciso escrever tudo à mão.
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Criar um SRV no cPanel
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Entre no cPanel a partir do My MozOut e procure por Zone Editor (Editor de Zona). Ao lado do domínio, clique em Manage.
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| 2 |
Clique em Add Record e escolha o tipo SRV.
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| 3 |
No campo Name escreva _servico._protocolo, com os sublinhados. O painel completa com o seu domínio. Confirme que o nome final termina no domínio certo.
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| 4 |
O TTL é em segundos e pode ficar como vem. Se está experimentando, baixe-o antes de mexer, e volte a subí-lo depois: a mecânica do TTL está aqui.
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| 5 |
Preencha Priority, Weight, Port e Target com os valores que o serviço lhe deu. Grave em Save Record.
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Se o domínio não usa os nossos nameservers, o registro tem de ser criado no painel de quem os tem, e não aqui. Confirme primeiro onde apontam: nameservers, o que são e quais usar. Se estão no Cloudflare, é lá: o que muda com o Cloudflare.
Como se confirma, de fora
A única prova que interessa é a que se faz do lado de fora. Troque o nome pelo seu:
| Sistema |
Comando |
| Windows |
nslookup -type=SRV _autodiscover._tcp.yourcompany.com na linha de comandos |
| macOS ou Linux |
dig SRV _autodiscover._tcp.yourcompany.com +short no Terminal |
A resposta vem com os quatro valores pela mesma ordem do formulário: prioridade, peso, porta e alvo. Se não vier nada, ou está escrito em outro lugar, ou ainda não propagou: quanto tempo demora a propagação.
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Se o serviço lhe der a linha já escrita, do gênero _sip._tcp.yourcompany.com. 3600 IN SRV 10 5 5060 voz.yourcompany.com., leia-a da esquerda para a direita depois do SRV: prioridade, peso, porta, alvo. São os quatro campos do formulário, pela mesma ordem.
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Mande-nos a linha SRV que lhe pediram, ou diga-nos o serviço que quer pôr a funcionar. Nós criamos o registro.
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